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Veja dicas de como economizar na conta de luz, gás de cozinha, combustíveis e no mercado

O poder de compra do brasileiro no segmento de combustíveis é o menor em mais de uma década. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção da Federação Única dos Petroleiros) mostra que com o salário mínimo a R$ 1.212, é possível comprar cerca de 11 botijões de gás de 13 quilos, abaixo dos 16 botijões em 2012. Na gasolina, em 2022, são em média 167 litros, volume inferior aos 227 litros de dez anos atrás. E no diesel, os atuais 180 litros estão muito aquém dos quase 300 litros do período anterior. A pesquisa usa dados de preços de combustíveis, convertidos em dólar, da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

- Gás de cozinha, óleo diesel e gasolina são derivados de petróleo. Petróleo é uma commoditie que é negociada internacionalmente. E o preço subiu mais de 50% nos últimos seis meses. Isso provocou o encarecimento de todos esses produtos - explica Mauro Rochlin, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A Petrobras implantou em outubro de 2016 uma política de preço de paridade de importação (PPI), com reajustes dos combustíveis com base nas cotações internacionais do petróleo, variação cambial e custos de importação de derivados. Desde então, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a gasolina nas refinarias acumulou reajustes de 157,3%; o diesel, de 157,6%; e o GLP, de 349,3%. No mesmo período, o salário mínimo subiu apenas 37,7%.

- O aumento dos combustíveis vem acontecendo mundial e localmente então. Estamos há dois anos eu um período excepcional, por conta da pandemia, de interrupção das redes globais. E agora tem num conflito entre Rússia e Ucrânia que impacta a geração e a distribuição de combustíveis. Geograficamente é distante, mas há muito tempo a gente vive num mundo de cadeias globais e integradas - acrescenta a professora de Economia Vivian Almeida, do Ibmec.

Embora grande produtor mundial de petróleo e derivados, o Brasil apareceu em março deste ano na quarta pior posição (atrás da Venezuela, Ucrânia e África do Sul), num ranking de 40 países com o menor poder de compra de combustíveis usando seus salários mínimos.

Segundo Vivian, além do salário mínimo não acompanhar os aumentos dos combustíveis, há outros fatores que dimensionam o impacto dos reajustes para as famílias.

- A inflação vem acelerando e pega uma parte importante do orçamento das famílias. Pois combustível impacta em tudo: nos custos de transporte dos alimentos, no próprio gastos das pessoas com transportes, na energia, por exemplo. E, além do salário mínimo, a renda média do brasileiro não cresce. A informalidade segue como um recurso para sobrevivência.

Inflação batendo recordes - Na maior alta para o mês desde 1994, antes da implantação do plano Real, a inflação de março subiu 1,62%, segundo dados divulgados pelo IBGE. O IPCA já acumula alta de 11,30% em 12 meses, o maior índice desde outubro de 2003, e a prévia para abril foi pelo mesmo caminho, acumulando 12,03% e batendo recorde para o mês desde novembro de 2003.

O aumento da inflação foi puxado pelo reajuste da Petrobras nos preços dos combustíveis, no dia 11 de março, com altas de 18,8% no preço da gasolina, de 24,9% para o óleo diesel e de 16% no preço do GLP. Segundo o IPCA-15, a gasolina subiu 7,51%, o diesel disparou 13,11% e o GNV foi a 2,28%. E o aumento para o consumidor vai aumentar mais. Isso porque a Petrobras anunciou na sexta-feira, dia 29, um reajuste de 19% no preço de venda às distribuidoras do gás natural, o que vai fazer subir as contas do gás encanado e também do GNV nas bombas.

- A inflação está num avanço generalizado. Mas ela se divide. A que dura menos é a dos alimentos in natura, por exemplo, que dependem das condições climáticas. Tivemos muitas chuvas nos últimos meses, o que prejudicou a produção, mas a tendência é que com a chegada do inverno, o volume de chuvas diminua. O problema é a inflação mais persistente, que tem a ver com o preço dos energéticos, tanto os combustíveis quanto a energia elétrica, que vão continuar subindo, e seus efeitos se distribuem por outras categorias, inclusive os alimentos - explica André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV.

Já o gás de cozinha subiu 8,09%, com botijões de 13 kg sendo vendidos por até R$ 120 no estado do Rio, nas cidades de Angra dos Reis e Resende, no Sul Fluminense, ou até R$ 108 na cidade do Rio, segundo levantamento da ANP entre os dias 24 e 30 de abril.

Mas os preços dos alimentos também não têm dado trégua, e seguem nas alturas. O grupo foi o segundo com a maior variação entre os itens pesquisados pelo IBGE. O tomate aumentou 26,17% e o leite longa vida foi a 12,21%, além da cenoura, foi a 15,02%, o óleo de soja subiu 11,47%, a batata-inglesa foi a 9,86% e o tradicionalíssimo pão francês teve alta de 4,36%.

- A alimentação pesa mais para quem é de baixa renda. Quanto menos a gente ganha, mais se gasta com alimentos, porque se prioriza o mais essencial - analisa o economista.

A empreendedora Flávia Galvão é uma das sócias de um serviço de entrega de refeições, que sai de Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana, para entregas na Região Metropolitana. A empresa precisou reduzir as encomendas e tirar alguns pratos do cardápio em função do aumento dos gastos com combustíveis e também com os alimentos.

- Com o aumento recorrente não só do gás, mas também da gasolina, a gente diminuiu o fluxo de entregas de mensal para bimestral. Se em 2017, o gasto com gasolina de Cachoeiras (de Macacu) para o Rio de Janeiro era de R$ 160, hoje já está em R$ 328. Na cozinha, temos priorizado comidas que dependem do menor cozimento possível. Tiramos do cardápio a lasanha, que demora para cozinhar, então começamos a colocar o ravióli. Deixamos de fazer geleia porque é um produto com muito tempo de forno, a mesma coisa com a panqueca, que era um sucesso no cardápio - conta.

Os especialistas não conseguem antecipar quando o cenário irá mudar. Além de ser impossível prever o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia, a eleição polarizada de 2022 deve afastar investidores do Brasil, e a melhora da economia em geral num curto prazo. Por isso, o EXTRA traz, ao lado, dicas para economizar com os principais vilões da inflação: combustíveis, alimentos e energia.

 


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